Sendo o cérebro um sistema material, o seu funcionamento terá de ser governado pelas leis naturais (ver o post 2024-7). A opinião contrária é anticientífica. Para haver decisões parcialmente independentes dos estímulos exteriores (exigência do livre-arbítrio) teria de haver, no interior do cérebro, uma componente imaterial, que teria também de existir no cérebro de outros primatas (pelo menos). Ora, não me parece que isto possa ser verdade. A maior complexidade do cérebro humano permite comportamentos mais sofisticados, mas estes poderão não exigir uma estrutura cerebral radicalmente diferente da de um chimpanzé. As nossas decisões ou são de tipo instintivo ou são baseadas em características da mente, como a sensibilidade e a Razão, que a nossa vontade não comanda. Em particular, a Razão não pode causar o livre-arbítrio, porque a lógica impõe-nos determinados caminhos. Na reflexão, a pessoa usa a lógica para, com base nos conhecimentos que tem na memória, deduzir um camin...
A visão do mundo de qualquer pessoa é em grande parte uma ficção, isto é, uma criação da sua mente. A filosofia é o local onde as inúmeras visões do mundo se confrontam. O objectivo do blogue é promover o gosto pela filosofia através das reflexões do autor. E mostrar que o nosso mundo é um lugar muito estranho. "Não sou pessimista. O mundo é que é péssimo." (José Saramago)