Apresento a seguir o poema intitulado “A Marioneta”, do comediante mexicano Johnny Welch, que ele costuma usar nos seus espectáculos de ventriloquismo. “Se por um instante Deus se esquecesse de que sou uma marioneta de pano e me desse um pedaço de vida, talvez eu não dissesse tudo o que penso, mas com certeza pensaria tudo o que digo. Eu daria valor às coisas não pelo seu valor intrínseco, mas sim pelo seu significado. Dormiria pouco e sonharia mais. Sei que a cada minuto que fechamos os olhos, perdemos sessenta segundos de luz. Eu caminharia enquanto os outros vagueiam; acordaria enquanto os outros dormem. Ouviria enquanto os outros falam, e como apreciaria um bom gelado de chocolate! Se Deus me concedesse um pedaço de vida, eu vestir-me-ia com simplicidade, atirar-me-ia de bruços sob o sol, expondo não só o meu corpo, mas também a minha alma. Meu Deus, se eu tivesse um coração, escreveria o meu ódio no gelo e esperaria que o sol nascesse. Com um sonho de Van Gogh, pintaria nas estr...
A história da Humanidade é em grande medida um relato de conflitos e horrores. Se as acções humanas fossem escolhas racionais, o homem já há muito teria tido consciência do absurdo que a História descreve. Mas os homens são apenas actores numa peça escrita por uma mão invisível, a que Schopenhauer chama Vontade e Bernardo Kastrup chama Consciência Universal (vide post 2025-47). Os homens estão constantemente a praticar actos irracionais, dominados por uma sensibilidade defeituosa. A Consciência Universal é a Realidade Total. A ciência só permite o conhecimento da matéria, que é a parte objectivável dessa Realidade. Segundo Bernardo Kastrup, a matéria é a representação dos seres inanimados nas consciências individuais. Estas consciências estão fora do âmbito da ciência, o que torna a realidade humana inexplicável. Daí a necessidade dos mitos para dar sentido à vida humana. Nenhum poeta sabe por que é poeta, e nenhum sociopata sabe por que é sociopata. A ciência cria nos homens a crença ...