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Mensagens

A Marioneta, 2025-50

Apresento a seguir o poema intitulado “A Marioneta”, do comediante mexicano Johnny Welch, que ele costuma usar nos seus espectáculos de ventriloquismo. “Se por um instante Deus se esquecesse de que sou uma marioneta de pano e me desse um pedaço de vida, talvez eu não dissesse tudo o que penso, mas com certeza pensaria tudo o que digo. Eu daria valor às coisas não pelo seu valor intrínseco, mas sim pelo seu significado. Dormiria pouco e sonharia mais. Sei que a cada minuto que fechamos os olhos, perdemos sessenta segundos de luz. Eu caminharia enquanto os outros vagueiam; acordaria enquanto os outros dormem. Ouviria enquanto os outros falam, e como apreciaria um bom gelado de chocolate! Se Deus me concedesse um pedaço de vida, eu vestir-me-ia com simplicidade, atirar-me-ia de bruços sob o sol, expondo não só o meu corpo, mas também a minha alma. Meu Deus, se eu tivesse um coração, escreveria o meu ódio no gelo e esperaria que o sol nascesse. Com um sonho de Van Gogh, pintaria nas estr...
Mensagens recentes

Futuro sombrio, 2025-49

A história da Humanidade é em grande medida um relato de conflitos e horrores. Se as acções humanas fossem escolhas racionais, o homem já há muito teria tido consciência do absurdo que a História descreve. Mas os homens são apenas actores numa peça escrita por uma mão invisível, a que Schopenhauer chama Vontade e Bernardo Kastrup chama Consciência Universal (vide post 2025-47). Os homens estão constantemente a praticar actos irracionais, dominados por uma sensibilidade defeituosa. A Consciência Universal é a Realidade Total. A ciência só permite o conhecimento da matéria, que é a parte objectivável dessa Realidade. Segundo Bernardo Kastrup, a matéria é a representação dos seres inanimados nas consciências individuais. Estas consciências estão fora do âmbito da ciência, o que torna a realidade humana inexplicável. Daí a necessidade dos mitos para dar sentido à vida humana. Nenhum poeta sabe por que é poeta, e nenhum sociopata sabe por que é sociopata. A ciência cria nos homens a crença ...

Genocídio e fanatismo, 2025-48

Da análise do filme “Nuremberga” (2025), intitulada “Nuremberg Ponders the Particularity of Nazi Evil” (disponível no site “The Gospel Coalition”), retirei as seguintes frases. “Nuremberg ends with a sobering quote from R. G. Collingwood: ‘The only clue to what man can do is what man has done.’ It’s a fitting final thought for a film about sinful humanity’s frightening capacity for evil.” “Some Nazis were monstrous bogeymen; others were banal. Grievance-driven aggression, self-deception, and other sinful habits compounded in Nazism with uniquely depraved and horrific results. By 1945, as Allied armies discovered concentration camps and the extent of Holocaust atrocities became more widely known, even some Nazis struggled to comprehend the depths of the darkness in which they were complicit.” “If we could psychologically define evil, we could make sure nothing like this happens again.” “Nuremberg ends with a dramatic epilogue in which [Douglas] Kelley is being interviewed live on the ra...

Schopenhauer e Kastrup, 2025-47

De acordo com o filósofo Arthur Schopenhauer (1788-1860), o homem é livre para fazer o que deseja — a não ser que algo o impeça (liberdade de acção), mas não para escolher os seus desejos (ausência de liberdade da vontade). Para este filósofo, a “Vontade” (com ‘V’ maiúsculo) é a força fundamental e cega que impulsiona tudo no Universo, incluindo os nossos desejos e até mesmo a nossa vontade de mudar. Assim, estes desejos não são escolhidos livremente; eles são impostos por uma “Vontade” cega, independente de nós e largamente irracional, que nos torna escravos da nossa própria natureza. Não temos controlo sobre essa Vontade, que é a origem dos nossos desejos, impulsos ou vontades; estes surgem de forma autónoma, ditados pela nossa essência, que é imposta por essa Vontade. Em resumo: somos autómatos dirigidos por desejos que não escolhemos, uma ideia central na filosofia de Schopenhauer, que explora a natureza da vontade e da liberdade na sua obra “O Mundo como Vontade e Representação”. ...

Homens e bichos, 2025-46

A enorme diversidade de pontos de vista defendidos pelos homens, sobre o mesmo assunto, é uma prova de que a sua inteligência média é baixa. Por outro lado, a fraca solidariedade e a horrível crueldade que vemos no mundo são a prova de que a sensibilidade dos seres humanos é muito defeituosa. Nestas condições não podemos esperar que o mundo vá melhorar significativamente. O que distingue os homens dos outros primatas é sobretudo a linguagem, que está na base da civilização. Mas enquanto a inteligência dos outros primatas satisfaz bem as suas necessidades, o mesmo não podemos dizer da inteligência humana. Quando fez aparecer o homem, a Natureza deu um passo maior do que a perna. “Quando a mente está pensando, está falando consigo mesma.” (Platão) E neste diálogo interior, a mente acaba muitas vezes escravizada por algumas ideias, porque a sua capacidade de reflexão é fraca. As mentes são muito diferentes e todas muito limitadas. “É uma doença natural no homem acreditar que possui a verd...

Sentido da vida, 2025-45

 O homem pode perguntar “Qual é o sentido da minha vida?”. Os outros animais não podem fazer esta pergunta e por isso achamos que a vida deles não tem significado. Mas uma inteligência algo maior não pode dar mais significado à vida humana, porque a inteligência não nos livra da animalidade. O homem arrisca-se a ser o único animal capaz de destruir o seu habitat. Além disso, a história da Humanidade mostra bem que a maioria dos homens dá pouco valor à vida. O estado actual da Humanidade é perfeitamente desgraçado e vergonhoso e tem piorado constantemente. Nestas condições, penso que não é possível encontrar um significado na vida. A vida é talvez um enigma indecifrável (vide post 2024-43). O homem só consegue ver na vida um único propósito: satisfazer a sua sensibilidade com o menor sofrimento possível. A condição humana não permite dar sentido à Humanidade. Neste planeta, só a animalidade é possível.

Consciência e cérebro, 2025-44

O presente post é baseado nos seguintes vídeos do Youtube. Why Free Will & Determinism Are The Same | Bernardo Kastrup PhD “Your Consciousness is Not in Your Head.” | Interview with Bernardo Kastrup Como Bernardo Kastrup explica nos vídeos anteriores, cada homem toma as decisões que a Consciência Universal lhe permite tomar, e só poderia ter decidido diferentemente se as circunstâncias tivessem sido outras. Estamos todos assistindo ao espectáculo que nos é oferecido pela Consciência Universal. Por isso Bernardo Kastrup, no primeiro dos vídeos referidos, afirma que livre-arbítrio e determinismo são o mesmo. A Consciência Universal determina o estado da nossa mente e este determina as nossas escolhas. Depois de praticada uma acção não podemos dizer que a pessoa poderia ter agido de outro modo. Todos temos tendência para criticar os outros mas, na verdade, qualquer crítica é irracional. Quando recordamos o nosso passado podemos ficar felizes por não ter praticado uma dada acção, mas t...