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Mensagens

A mostrar mensagens de abril, 2024

Sonho e poesia, 2024-16

“Quando começo um poema nunca sei para onde estou a ser conduzido. Há muitas formas de encontrar linha de desenvolvimento, umas vezes lógica, outras mais contraditória ou paradoxal, mas o que é comum é o modo como o poema se fecha a si próprio, quase sempre de uma forma inesperada que surpreende através de várias formas, desde a ironia até esse encontro como o que posso chamar uma transcendência que obriga a ler o poema e a reinterpretá-lo. O que importa é a surpresa no final, que subverte ou transforma o que vinha antes.” (Nuno Júdice, citado por Guilherme d’Oliveira Martins, in JL 03-04-2024, p. 11) Os sonhos em vigília não são totalmente distintos dos sonhos nocturnos. Podemos perguntar: donde vêm os sonhos? Estou convencido de que a sua origem está fora do corpo (ver o post 2024-13). Recentemente, descobriu-se que até os bebés no útero têm sono REM e sonham, mas não se sabe com o quê (Wikipédia: Sonho). “Não há poesia sem imagem, tal como não há poesia sem ideia (embora no ...

O Universo em bloco, 2024-15

A ideia do “Universo em bloco”, segundo a qual o passado, o presente e o futuro coexistem no espaço-tempo, é a teoria preferida da maior parte dos físicos para explicar o tempo. (Isto é afirmado no Cap. 10 do livro “Tempo: 10 coisas que deve saber”, de Colin Stuart, editora Vogais.) A vida de qualquer pessoa é uma viagem pelo espaço-tempo (Wikipédia: Relatividade geral), que a faz passar por uma sucessão de presentes. Uma pessoa não ocupa apenas uma certa extensão do espaço mas também uma certa extensão do tempo. Naquele livro pode ler-se que “o fluxo do tempo é um produto da nossa imaginação”. O tempo não “passa” por nós, nós é que viajamos pelo tempo. É claro que, segundo esta teoria do Universo em bloco (Block Universe theory), o livre-arbítrio é uma ilusão, porque o futuro já existe e é inalterável.  

Com os olhos em Gaza, 2024-14

Em 07-04-2024, num artigo de análise sobre Gaza, no jornal Público, a Professora Joana Ricarte escreveu: “Os dados disponíveis são aterradores. Desde 7 de outubro de 2023, mais de 33 mil palestinianos morreram, dos quais mais de 12.300 eram crianças – note-se que este número não inclui os quase sete mil desaparecidos nos escombros da destruição. A ONU estima que 85% da população de Gaza está deslocada, tendo mais de um milhão e meio de civis ido buscar refúgio no Sul, zona indicada por Israel como segura e que actualmente está a ser alvo de uma incursão terrestre que se pode antever como catastrófica. Quando o conflito terminar, muitos destes deslocados não terão casa para voltar. […] De acordo com o secretário-geral da ONU, António Guterres, regista-se em Gaza o maior número de pessoas enfrentando níveis de fome catastrófica e má nutrição alguma vez visto em qualquer lugar, a qualquer altura, num contexto em que Israel utiliza a fome como arma de guerra. Hospitais, universidades, ...

A obra tem voz, 2024-13

“Quando começo a escrever, nunca sei nada do que me vai chegar. É deixar-me ir até onde a história me levar.” (Jon Fosse, in entrevista publicada no Ípsilon, 22-03-2024, p. 5) “Considerei-me ateu durante muitos anos. Mas a minha escrita tirou-me do ateísmo. Não se consegue explicar o que acontece ao escrever numa visão apenas materialista, é impossível. Como a música de Bach, não se consegue explicar de onde vem, é impossível. Foi como se um espírito se tivesse aberto para mim, a que eu chamo desconhecido, e eu tornei-me próximo disso. Quando as pessoas me perguntavam se acreditava em Deus, comecei a responder que sim. Que sou crente.” (Jon Fosse, na mesma entrevista, p. 6) “Acho que tenho o conhecimento, digamos assim, para poder dizer que para as coisas mais importantes da vida as palavras são muito poucas. O que é que podemos dizer sobre Deus? Nada. Eu, pelo menos, não consigo. O que é que podemos dizer sobre o amor? Quase nada. Não temos palavras para isso. O que podemos dize...