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Mensagens

A mostrar mensagens de maio, 2025

Escassez de dignidade, 2025-23

 Propus atrás que as pessoas lúcidas e dignas façam o possível para que os sionistas sintam vergonha de ser judeus (vide post 2025-17). Mas o facto de Israel ter ficado em segundo lugar no Festival Eurovisão da Canção mostra claramente que um número demasiado grande de pessoas não tem a sua dignidade em devida conta. Nestas condições a Humanidade não vai conseguir tornar-se verdadeiramente humana e portanto a sua existência deixou de ter interesse. Theodor W. Adorno afirmou que “escrever poesia depois de Auschwitz é uma barbaridade”. Eu digo que o genocídio de Gaza, perpetrado pelos descendentes dos que sofreram em Auschwitz, tornou a filosofia irrelevante, porque a realidade humana revelou-se absurda demais para ser pensada. Não creio que a Humanidade consiga encontrar maneiras de evitar barbaridades deste tipo. Só a repressão por isolamento (vide post 2024-52) poderia ter um efeito significativo, mas duvido que haja dignidade suficiente para a pôr em prática. “A maior parte da po...

Holocausto de Gaza, 2025-22

A investigação da Amnistia Internacional encontrou bases suficientes para concluir que Israel cometeu e continua a cometer genocídio contra os palestinianos na Faixa de Gaza ocupada, o que é afirmado num relatório de referência publicado esta quinta-feira (05-12-2024), relatório com quase 300 páginas disponível no site da Amnistia Internacional, sob o título “Israel está cometer genocídio contra os palestinianos em Gaza”. “O relatório da Amnistia Internacional demonstra que Israel levou a cabo actos proibidos pela Convenção sobre o Genocídio, com a intenção específica de destruir os palestinianos em Gaza. Estes actos incluem assassinatos, causar lesões corporais ou mentais graves e infligir deliberadamente aos palestinianos em Gaza condições de vida calculadas para provocar a sua destruição física. Mês após mês, Israel tem tratado os palestinianos em Gaza como um grupo sub-humano indigno dos direitos humanos e da dignidade, demonstrando a sua intenção de os destruir fisicamente”, afirm...

A ética de Espinosa, 2025-21

Baruch Espinosa é famoso pela identificação de Deus com a Natureza. Na concepção de Espinosa, Deus é entendido como a totalidade da realidade. Segundo esta perspectiva, não existem ateus. Sobre ele, Hegel diria: “O facto é que Espinosa se tornou um ponto de teste na filosofia moderna, de modo que realmente pode dizer-se: “ou você é um espinosista ou nem sequer é um filósofo”. Gilles Deleuze considerou-o “o ‘príncipe’ dos filósofos”. A sua obra mais importante, “Ética demonstrada à maneira dos geómetras”, tem a estrutura de um tratado de geometria, com postulados, definições e demonstrações. Com esta ética racional, Espinosa esperava que qualquer homem pudesse comptreender e obedecer aos ditames da Razão. “Tudo aquilo por que nos esforçamos pela Razão não é outra coisa senão conhecer; e a alma, na medida em que usa da Razão, não julga que nenhuma outra coisa lhe seja útil, senão aquela que conduz ao conhecimento.” (Espinosa, in “Ética”). Para Espinosa, conhecer é sempre conhecer Deus. N...

O optimismo de Maalouf, 2025-20

No Ípsilon de 16-05-2025 foi publicada uma entrevista ao escritor Amin Maalouf intitulada “O mundo precisa de ser imaginado”, da qual extraí os seguintes parágrafos: “Conversei com especialistas, dizem que dentro de dois, três anos, teremos ambos pequenos aparelhos que colocaremos nos ouvidos, cada um falará na sua língua, e o outro ouvirá na língua que compreende. As pessoas deixarão de se preocupar com a língua. Vão falar entre si, independentemente da língua de cada um. Olho para isso de uma forma fascinante. Temos de aceitar a evolução, de gostar da evolução — e, além disso, não temos escolha. Ou seja, o que acontece não é submetido a um referendo, é uma realidade, não podemos dizer se somos a favor ou contra a globalização, a nossa opinião não importa. São coisas que acontecem e que ninguém controla. Mesmo os mais poderosos do mundo não controlam nada. Ocupam posições diferentes, mas não são eles que tomam as decisões e não podem parar este movimento. A única coisa que cada um de ...

A necessidade da religião, 2025-19

No dia 08-05-2025, na Sic Notícias, pouco antes de se saber quem era o novo Papa, o teólogo Henrique Pinto disse o seguinte: “Enquanto pessoas, precisamos de viver de ilusões, precisamos de nos iludir todos os dias. Cada um de nós precisa de âncoras para dar sentido à sua vida, para se manter com algum equilíbrio, alguma harmonia. A espiritualidade é um pouco tudo isso, tem a ver com uma panóplia muito ampla, muito plural de possibilidades que as pessoas encontram na sua vida e às quais se agarram para se manterem à tona de água. O Cristianismo continua a ser uma âncora para milhares e milhares de pessoas, tal como o Islão, o Hinduísmo, o Sikhismo, o Budismo, etc. são âncoras para tantos milhões de pessoas. Actualmente o mundo padece de falta de liderança, faltam líderes como o Papa Francisco foi para a Igreja.” No artigo “O regresso do religioso – afirmação, crítica, subversão e profecia” (disponível na Internet), aquele teólogo afirma o seguinte: “A exposição vulnerável e expectante ...

Um judeu lúcido, 2025-18

No Ípsilon de 02-05-2025 foi publicada uma entrevista intitulada “Gabor Maté, o médico do mal-estar dos nossos dias”. Este médico é perito em temas como o stress, as dependências, o trauma, o desenvolvimento infantil e o défice de atenção. Nos seus livros Gabor fala do corpo e da mente, que para ele são inseparáveis, mas também do modo de vida ocidental, que nos põe doentes. Ele é um médico, mas também um denunciante da forma como vivemos. Um desses livros, publicado originalmente em 2008, chegou recentemente a Portugal: No Reino dos Fantasmas Famintos, que é dedicado aos problemas da toxicodependência. “No livro que se seguiu, O Mito do Normal (2022), ele interpreta várias epidemias no Ocidente (como a de obesidade ou de doenças mentais) como, em boa medida, manifestações de uma cultura “doente”, que negligencia que corpo e mente são indissociáveis, que varre para debaixo do tapete os traumas e o stress que carregamos nesse corpo-mente.” (Trauma é a palavra grega para “ferida”.) Em O ...

De novo Gaza, 2025-17

Em 08-05-2025, no programa 5ª Coluna, da TVI, Miguel Sousa Tavares mostrou uma fotografia tirada em Gaza e disse que o aspecto dos palestinianos lhe lembrava os campos de concentração nazis. E acrescentou: “Há dois meses que Israel fechou a entrada de alimentos em Gaza. É uma estratégia clara para matar à fome. Israel está fazendo uma celebração da morte e do genocídio, como nós nunca vimos no séc. XXI, feita pelas vítimas dos nazis, pelos netos dos que morreram em Dachau, Buchenwald, etc. Isto é incompreensível e é incompreensível a maneira como a Europa e os Estados Unidos olham para isto. Como é que os dirigentes do mundo conseguem viver com isto, ser coniventes com tudo isto. Israel está a matar uma média de oitenta pessoas por dia em Gaza. O ministro da defesa israelita disse que é necessário destruir totalmente Gaza e empurrar os palestinianos para fora dali. Destruição total de Gaza – é a solução final como diziam os nazis. Os israelitas estão a capturar o território e a expulsa...

A ubiquidade do grotesco, 2025-16

 No suplemento P2 do Público de 20-04-2025 (p. 2), o psicólogo Luís Fernandes afirma que, segundo Michel Foucault, os detentores do poder são frequentemente grotescos. E refere os exemplos mais recentes: Putin, Netanyahu, Trump, Bolsonaro e Berlusconi. Mas, em minha opinião, o carácter grotesco abrange um conjunto muito mais vasto do que o dos governantes. O homem é um ser intrinsecamente grotesco, uma marioneta conduzida por forças que desconhece e por mitos mais ou menos absurdos, mas sempre presentes, um ser que se diverte rindo dos seus semelhantes e perseguindo-os. Vários autores têm composto um retrato do “poder grotesco”, em particular Alfred Jarry (na peça teatral “Ubu Rei”, de 1896) e Michel Foucault (no livro “Os anormais”, de 1999). No artigo “Ubu, o fantasma que saiu do armário” (disponível na Internet), Francisco Louçã analisa as ideias destes autores sobre o poder grotesco (ou ubuesco). Neste artigo pode ler-se: “O poder ubuesco não é uma falha, é uma organização; o s...