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Mensagens

A mostrar mensagens de novembro, 2024

O ruído da História, 2024-57

  Normalmente diz-se que o progresso económico é indispensável. Com maior que menor esforço, o PIB lá vai aumentando. Mas ao mesmo tempo, muita gente sente que os países mais ricos estão regredindo em termos de formação moral, cívica e cultural dos seus cidadãos. Isto é assim porque, para a maioria, a vida não tem objectivos importantes e por isso as pessoas crescem a imitar levianamente os outros. “O drama do homem moderno é que pode estar perfeitamente integrado e ser um elemento válido para a sociedade e, ao mesmo tempo, sentir-se totalmente desprovido de valor.” (Bruno Vieira Amaral, in Ípsilon de 22-11-2024, p. 10) Os seres e os acontecimentos só têm o valor que conseguirmos dar-lhes. As sociedades não aprendem nada com o passado e os erros voltam a ser cometidos passado algum tempo. Os homens não são livres porque a sua fraca inteligência é incompatível com a liberdade. Na verdade, os homens pouco mais podem fazer do que assistir ao espectáculo caótico e angustiante que...

O legado dos mortos, 2024-56

“Nenhum poeta, nenhum artista de nenhuma arte, tem um significado completo por si só. O seu significado, a sua apreciação, é a apreciação da sua relação com os poetas e artistas mortos. Não é possível valorizá-lo por si só; é preciso colocá-lo, para contraste e comparação, entre os mortos.” (T. S. Eliot) O valor de um homem é determinado pelas relações que mantém com os seus contemporâneos e com os mortos. Nenhum homem é completamente original, porque não nasceu do nada. Cada um só acrescenta um pouco àquilo que os mortos lhe legaram.  

A escravidão dos mitos, 2024-55

  Os mitos são construções mentais destinadas a favorecer os factos que nos agradam e a contrariar os que nos desagradam. Por dependerem da sensibilidade, não é possível dar-lhes um suporte lógico preciso. Exemplos de mitos: as pestes são castigos divinos; mito do terrorismo (todo aquele que usa da violência contra um opressor não é um terrorista). Para dar sentido à sua existência e satisfazer a sua sensibilidade, o homem constrói narrativas (ficções, mitos) que não têm justificação lógica. Temos por exemplo os mitos judaicos   do “Povo Eleito” e da “Terra Prometida”, o mito do paraíso e o mito de que as pessoas brancas são mais inteligentes do que as pretas.  

O paraíso de Coppola, 2024-54

“A espécie humana é genial. Que outra criatura, o polvo, o elefante, pode fazer 1% daquilo que fazemos e criamos? […] Podemos resolver qualquer problema. Mas temos de ser capazes de confiar em nós próprios.” (Francis Ford Coppola, numa entrevista publicada na p. 7 do Ípsilon de 11-10-2024, a propósito do filme “Megalopolis”) Coppola afirmou também que os homens são capazes de “fabricar o paraíso”. Na verdade, nem sequer somos capazes de imaginá-lo, quanto mais construí-lo. Se formos justos, temos de reconhecer a nossa genialidade mas também a nossa estupidez e maldade. Todos sabemos que existe o génio do bem mas também o génio do mal. Devido às limitações da mente humana, não existe coerência no conjunto das acções humanas. E quando nos comparamos com outras espécies, temos de notar que ninguém é bom juiz em causa própria. Na política, os interesses económicos justificam todas as decisões, mas estes interesses não são muitas vezes claros para todos os cidadãos. A Humanidade é conduzi...

A superioridade de uma cultura, 2024-53

  O senhor X disse: “há valores que são melhores do que outros”. Pois é, o senhor X pensa que os seus valores são melhores do que os do senhor Y. Mas quando os dois pontos de vista dependem muito das sensibilidades, é muito difícil que qualquer deles possa convencer o outro de que está errado. Quem defende convictamente uma cultura considera sempre inferiores as culturas que são muito diferentes. As culturas são diferentes porque evoluiram em circunstâncias históricas diferentes, que moldaram diferentemente a sensibilidade dos respectivos cidadãos.