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Poder absoluto, 2025-10

 

A teologia diz que Deus é amor e que é todo-poderoso. Estes dois atributos parecem-me algo contraditórios porque o poder esmaga mas o amor acaricia. A ideia de Deus construída pelo homem é contraditória porque a mente humana também o é.

O homem aspira a ser poderoso e por isso concebe um Deus todo-poderoso. Mas deve ter-se em conta que ao pedir ajuda a Deus estamos a admitir que Ele não é responsável por aquilo que nos acontece.

“O poder tende a corromper, e o poder absoluto corrompe absolutamente.” (Lord Acton)

Por isso a democracia é incompatível com o poder absoluto.

No artigo “Frank Herbert’s Amazing ‘Dune’ Quote”, de Jonathan Miltimore (disponível da Internet), encontrei um pensamento mais convincente do que o anterior:

"Todos os governos sofrem de um problema recorrente: o poder atrai personalidades patológicas. Não é que o poder corrompa, mas é magnético para o corruptível. Estas pessoas têm tendência a embriagar-se com a violência, uma condição na qual se tornam rapidamente viciadas." (Frank Herbert)

Este pensamento assenta como uma luva em vários governantes actuais.

Naquele artigo é afirmado que no livro “O caminho para a servidão”, de F. A. Hayek, há um capítulo que procura explicar o facto de que, numa sociedade, os piores homens tendem a ascender à liderança. Miltimore extrai deste livro o seguinte pensamento:

“Just as the democratic statesman who sets out to plan economic life will soon be confronted with the alternative of either assuming dictatorial powers or abandoning his plans, so the totalitarian dictator would soon have to choose between disregard of ordinary morals and failure.” Segundo Hayek, esta é a razão pela qual os desinibidos sem escrúpulos têm mais probabilidades de ascender à liderança.

Depois de ler aquele artigo de Jon Miltimore fiquei mais convencido de que a realidade humana é governada por leis inelutáveis.

 

“Neste mundo, os loucos conduzem os cegos.” (Shakespeare, in “Rei Lear”)

 

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