O mundo é complexo demais para que o homem possa compreender completamente o seu significado. Por isso têm existido muitas culturas, cada uma delas com a sua visão do mundo. Qualquer visão do mundo é baseada em postulados (indemonstráveis) a que se dá o nome de mitos. Um mito é uma narrativa metafórica que ajuda cada ser humano a entender a sua posição no mundo e a encontrar um significado para a sua vida.
Exemplos: o mito da caverna (de Platão), os mitos da criação do mundo e o mito do Deus Pai.
Os mitos e os rituais são componentes essenciais de qualquer religião. Uma vez que os mitos são crenças sem justificação racional, nenhuma religião pode ser aceite por todos os seres humanos. A visão do mundo de uma pessoa depende da natureza da sua mente e todas as visões do mundo são igualmente boas desde que permitam a um homem respeitar as dignidades de todos os outros.
Devido à enorme variabilidade da mente humana, a universalidade de uma crença é sempre limitada. Mas como diz o filósofo John Gray: “No final de contas, o que importa não é aquilo em que acreditamos. O que importa é a forma como vivemos” (vide post 2024-58). Penso que John Gray está aqui a pensar nas crenças religiosas. Mas é claro que a maneira como uma pessoa vive depende do conjunto das suas crenças. Estas crenças é que definem a pessoa.
A beleza que damos à vida depende das nossas crenças. Se dois conjuntos de crenças permitirem a mesma harmonia entre os seres humanos, eles são equivalentes.
No artigo “CIBERCULTURA – Experimentar Deus-Existência”, de Miguel Oliveira Panão (disponível da Internet), o autor afirma: “Deus não existe no sentido comum. Se Deus existisse, seria como qualquer outra realidade que existe. As reservas que tenho em conjugar as palavras “Deus existe” advêm de serem uma conjugação muito limitada para a Realidade-que-tudo-determina. O que me parece fazer mais sentido é afirmar que “Deus é Existência” (além de Deus é Amor, como nas Cartas de S. João). Porém, faz algum sentido perguntar se “a Existência existe?” Não creio. Sabemos pouco de Deus, mas se acolhermos esta possibilidade de contemplar Deus como a Existência que dá sentido a tudo, relacionamos corretamente “Existência” e “Deus”. A existência de Deus não faz sentido porque Deus é a existência. Se Deus é Existência, não faz sentido provar a sua existência, mas sim experimentar essa Existência.” Uma vez que Deus pertence ao domínio do inconcebível, nenhuma metáfora pode aumentar o nosso conheciment...
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