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Escassez de dignidade, 2025-23

 Propus atrás que as pessoas lúcidas e dignas façam o possível para que os sionistas sintam vergonha de ser judeus (vide post 2025-17). Mas o facto de Israel ter ficado em segundo lugar no Festival Eurovisão da Canção mostra claramente que um número demasiado grande de pessoas não tem a sua dignidade em devida conta. Nestas condições a Humanidade não vai conseguir tornar-se verdadeiramente humana e portanto a sua existência deixou de ter interesse.

Theodor W. Adorno afirmou que “escrever poesia depois de Auschwitz é uma barbaridade”. Eu digo que o genocídio de Gaza, perpetrado pelos descendentes dos que sofreram em Auschwitz, tornou a filosofia irrelevante, porque a realidade humana revelou-se absurda demais para ser pensada. Não creio que a Humanidade consiga encontrar maneiras de evitar barbaridades deste tipo. Só a repressão por isolamento (vide post 2024-52) poderia ter um efeito significativo, mas duvido que haja dignidade suficiente para a pôr em prática.

“A maior parte da população não é muito inteligente, teme a responsabilidade e não deseja nada melhor do que ser informada do que fazer. Desde que os governantes não interfiram com os seus confortos materiais e as suas crenças, é perfeitamente feliz em deixar-se governar.” (Aldous Huxley)

Temos povos ingénuos governados por políticos megalómanos, incompetentes e grotescos.

“O caminho da vida pode ser livre e belo, mas nós extraviámo-nos. A ganância envenenou as almas dos homens, levantou no mundo as muralhas do ódio, e tem-nos feito marchar a passo de ganso em direcção à miséria e ao derramamento de sangue. Vivemos na era da velocidade, mas sentimo-nos enclausurados. As máquinas, que dão abundância, têm-nos levado à penúria. Os nossos conhecimentos tornaram-nos cínicos; a nossa esperteza, duros e cruéis. Pensamos demais e sentimos bem pouco. Mais do que máquinas precisamos de humanidade. Mais do que inteligência, precisamos de bondade e amabilidade. Sem estas qualidades, a vida será violenta e tudo estará perdido…” (“O Grande Ditador”, de Charles Chaplin – Trecho do discurso final)

Mas, como escrevi atrás, o passado aconteceu da única maneira que podia ter acontecido, salvo desvios devidos ao acaso (vide posts 2025-11 e 2025-20). Lamentar o passado não vai certamente melhorar o futuro. E temer o futuro também não vai melhorá-lo.
Um ser vivo e uma sociedade humana são dois organismos controlados pelo mesmo conjunto de leis naturais.

Dramatizamos a vida porque pensamos que ela é um assunto sério. Mas não existe nenhuma razão séria para a vida ser tomada a sério. A vida é um espectáculo que ou é divertido ou é absurdo, e neste caso só pode deixar-nos indiferentes. Para nos aproximarmos da felicidade devemos aprender a rir da vida. E por vezes aqueles que tomam a vida (e se tomam a si mesmos) mais a sério são os que me dão mais vontade de rir.

O objectivo da vida é satisfazer os desejos dos seres vivos. No que respeita aos humanos, a experiência de séculos mostra que a satisfação desses desejos não consegue dar um significado universal à vida humana.

Neste momento, no Canadá, estão a ocorrer incêndios florestais de enorme extensão e violência, que já forçaram 25 mil pessoas a sair de casa. Este fogo, que começou no Parque natural de Jasper, poderá ser considerado o pior dos últimos oito anos na região. Existem 176 fogos activos, 50 por controlar. O Canadá está a enfrentar alterações climáticas significativas, com o aquecimento a ocorrer a um ritmo mais rápido do que o resto do mundo. A média nacional de temperatura em 2023 foi 2,8°C acima da média de referência de 1961 a 1990, sendo o segundo ano mais quente desde 1948. O país está a experimentar aumentos na precipitação, eventos climáticos mais extremos, escassez de água e um risco acrescido de inundações costeiras.
O colapso ambiental vai ser a prova definitiva de que a vida não pode ser tomada a sério.

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