Na série “Para Além do Cérebro”, exibida pela RTP1, o 2.º episódio é dedicado à telepatia. Telepatia é transmissão de pensamento entre seres humanos distantes um do outro, por interligação directa entre as suas mentes. Exemplo apresentado naquele episódio: um de nós recorda um amigo que já não vê há algum tempo e logo a seguir o telefone toca, e é esse amigo que nos está a ligar. Outro exemplo: uma senhora mãe, de repente, começa a ficar ansiosa porque sente que o filho pode não estar bem e nas horas seguintes fica a saber que o filho caiu na escola e teve de ser socorrido e levar uns pontos, e percebe que foi exactamente no momento em que ela se sentia ansiosa.
Parece que quando há um laço afectivo forte entre as pessoas a comunicação telepática é mais fácil. Mas mesmo nestes casos não é possível provar que tudo não passa de coincidência. Por isso foram realizados ensaios laboratoriais em que os cérebros emissor e receptor são analisados por máquinas fMRI. Os resultados obtidos indicam uma elevada probabilidade de haver uma comunicação directa entre as mentes. Uma explicação possível é que a interligação seja devida às ondas electromagnéticas emitidas pelos cérebros. Mas esta explicação foi descartada porque os resultados se mantêm quando as pessoas estão em salas electricamente isoladas, de modo que as ondas electromagnéticas não possam passar de uma sala para a outra. Verifica-se também que os resultados não dependem da distância entre as pessoas, ao contrário do que se passa com as ondas electromagnéticas, cuja intensidade se atenua com a distância.
Os resultados dos referidos ensaios sugerem que a consciência tem uma propriedade de não-localidade semelhante à observada nos fenómenos de entrelaçamento quântico. Nestes fenómenos, a interligação entre duas partículas elementares pode permanecer activa mesmo quando elas estão muito afastadas uma da outra. Análogamente, na telepatia, a ligação afectiva entre duas pessoas poderá produzir efeitos imediatos qualquer que seja a distância entre elas, como se existisse um elo invisível entre essas pessoas. Admitindo que a mente é uma manifestação da Consciência Cósmica (ou Espírito Universal) e que, portanto, todas as consciências estão interligadas fora do espaço-tempo, os fenómenos de telepatia são fáceis de compreender.
Também têm sido estudados fenómenos de telepatia entre seres humanos e animais. Um amigo meu contou-me que o seu cão mostrou uma grande agitação quando a esposa dele estava falecendo num hospital.
Sobre este assunto, ver o seguinte vídeo do Youtube: “Controversial Scientist Explains Telepathy - Rupert Sheldrake”.
Neste vídeo, Sheldrake defende a “Extended mind theory”, segundo a qual as nossas mentes não estão apenas dentro dos nossos cérebros, que é a visão científica padrão. A teoria materialista da mente é que a matéria é a única realidade e a mente é produzida pela matéria dentro do cérebro, e que portanto tudo o que se pensa e experimenta está dentro da cabeça. A “Teoria da mente estendida”, que Sheldrake e várias outras pessoas propõem, é que as nossas mentes se estendem invisivelmente para além dos nossos cérebros, tal como os campos gravitacional e magnético da Terra se estendem para além da superfície terrestre.
Rupert Sheldrake usa a noção de “campo mórfico” para explicar vários enigmas da biologia, nomeadamente a mente estendida, as ligações existentes entre um animal de companhia e o seu dono ausente (cuja chegada pode ser pressentida pelo animal muito tempo antes) ou entre os pombos-correios e o pombal. Por exemplo, Sheldrake supõe que um cão e o seu dono estão interligados por um campo mórfico através do qual o comportamento do dono afecta o cão. “Campo mórfico” parece-me ser outro nome para a Consciência Cósmica no âmbito da biologia (vide post 2022-15). Sobre este assunto ver o vídeo do Youtube “Nature's Hidden Intelligence: Morphic Fields”.
No post 2025-26 é afirmado que vivemos num mundo mental, mas este mundo existe nas mentes estendidas, que são muito mais extensas do que os nossos corpos.
No artigo “CIBERCULTURA – Experimentar Deus-Existência”, de Miguel Oliveira Panão (disponível da Internet), o autor afirma: “Deus não existe no sentido comum. Se Deus existisse, seria como qualquer outra realidade que existe. As reservas que tenho em conjugar as palavras “Deus existe” advêm de serem uma conjugação muito limitada para a Realidade-que-tudo-determina. O que me parece fazer mais sentido é afirmar que “Deus é Existência” (além de Deus é Amor, como nas Cartas de S. João). Porém, faz algum sentido perguntar se “a Existência existe?” Não creio. Sabemos pouco de Deus, mas se acolhermos esta possibilidade de contemplar Deus como a Existência que dá sentido a tudo, relacionamos corretamente “Existência” e “Deus”. A existência de Deus não faz sentido porque Deus é a existência. Se Deus é Existência, não faz sentido provar a sua existência, mas sim experimentar essa Existência.” Uma vez que Deus pertence ao domínio do inconcebível, nenhuma metáfora pode aumentar o nosso conheciment...
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