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Schopenhauer e Kastrup, 2025-47

De acordo com o filósofo Arthur Schopenhauer (1788-1860), o homem é livre para fazer o que deseja — a não ser que algo o impeça (liberdade de acção), mas não para escolher os seus desejos (ausência de liberdade da vontade). Para este filósofo, a “Vontade” (com ‘V’ maiúsculo) é a força fundamental e cega que impulsiona tudo no Universo, incluindo os nossos desejos e até mesmo a nossa vontade de mudar. Assim, estes desejos não são escolhidos livremente; eles são impostos por uma “Vontade” cega, independente de nós e largamente irracional, que nos torna escravos da nossa própria natureza. Não temos controlo sobre essa Vontade, que é a origem dos nossos desejos, impulsos ou vontades; estes surgem de forma autónoma, ditados pela nossa essência, que é imposta por essa Vontade. Em resumo: somos autómatos dirigidos por desejos que não escolhemos, uma ideia central na filosofia de Schopenhauer, que explora a natureza da vontade e da liberdade na sua obra “O Mundo como Vontade e Representação”.
Ao afirmarem que a fé não é voluntária, os teólogos cristãos parecem concordar com Schopenhauer.

A opinião de Schopenhauer sobre a liberdade é semelhante à de Bernardo Kastrup mas, para este, a Vontade é um atributo da Consciência Universal que tudo contém (vide post 2025-44). Uma vez que as mentes humanas existem na Consciência Universal, esta é que determina os nossos desejos.

“O desejo é a essência da realidade.” (Jacques Lacan)

Não há justiça nem injustiça, há apenas sorte ou azar.

O presidente Marcelo Rebelo de Sousa tem sido sujeito a muitas críticas, mas estas não podem respnsabilizá-lo. A sua vontade não é assaz forte para mudar significativamente o seu comportamento que, para algumas pessoas, é muitas vezes irracional e até infantil. A seguir estão algumas das opiniões apresentadas no blogue “Outra Margem”, no post “Confissões do Presidente da República”.
“Marcelo Rebelo de Sousa é filho de Deus e do Diabo, Deus deu-lhe a inteligência, o Diabo deu-lhe a maldade.” (Paulo Portas)
“Marcelo, é como o escorpião da lenda, não resiste a matar a rã […] Algumas pessoas amigas que consultei avisaram-me e tentaram evitar que o convidasse para o Governo: “Estás a meter o veneno em casa” — dizia um. “Estás a aproximar-te do escorpião da fábula, e tu serás a rã” — dizia outro.” (Francisco Pinto Balsemão)
“Um presidente que já é sem qualquer dúvida o presidente mais fraco desde 1974.” (Henrique Raposo)
“Temos um Presidente da República sibilino e sinistro — o agente político mais perigoso para uma sociedade decente, tolerante, progressista e bem-sucedida depois de Oliveira Salazar, capaz de driblar todas as instituições democráticas, a começar por uma das suas especialidades, a Constituição.” (Paulo Querido)

A ideia central deste post — nenhum ser pode actuar contra a sua natureza — é claramente exposta na fábula “A Rã e o Escorpião”, que pode ler-se no blogue “Nova Acrópole”.

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