No artigo “CIBERCULTURA – Experimentar Deus-Existência”, de Miguel Oliveira Panão (disponível da Internet), o autor afirma:
“Deus não existe no sentido comum. Se Deus existisse, seria como qualquer outra realidade que existe. As reservas que tenho em conjugar as palavras “Deus existe” advêm de serem uma conjugação muito limitada para a Realidade-que-tudo-determina. O que me parece fazer mais sentido é afirmar que “Deus é Existência” (além de Deus é Amor, como nas Cartas de S. João). Porém, faz algum sentido perguntar se “a Existência existe?” Não creio. Sabemos pouco de Deus, mas se acolhermos esta possibilidade de contemplar Deus como a Existência que dá sentido a tudo, relacionamos corretamente “Existência” e “Deus”. A existência de Deus não faz sentido porque Deus é a existência. Se Deus é Existência, não faz sentido provar a sua existência, mas sim experimentar essa Existência.”
Uma vez que Deus pertence ao domínio do inconcebível, nenhuma metáfora pode aumentar o nosso conhecimento sobre Ele. Nem mesmo a metáfora “Deus é existência” porque no nível da Realidade Total não sabemos definir existência. Definir existência seria definir também não-existência. E só tem sentido dizer que Deus é uma pessoa por se manifestar através de pessoas. Deus manifesta-se através dos melhores homens e não pode ser pensado independentemente deles. A noção de Deus está relacionada com as noções de bem e de mal. Dado que estas noções resultam da sensibilidade, a noção de Deus é uma criação da mente humana suportada pela sensibilidade e não pela Razão.
“Se os homens nascessem livres, enquanto permanecessem livres, não formariam qualquer concepção do bem e do mal.” (Espinosa) Isto é, só distinguimos entre bem e mal porque não conhecemos Deus (que é a Verdade).
Para Espinosa, Deus é a Realidade Total e, para mim, esta é um organismo vivo que nos inclui e que não podemos conhecer completamente.
Mas para mim a Realidade-que-tudo-determina é o que tenho designado por Consciência Cósmica ou Espírito Universal, que não possui sensibilidade mas permite o aparecimento de seres sencientes (vide posts 2022-6, 2022-23). No entanto, a Consciência Cósmica é a sede das ideias e das leis naturais mas a sua função não é dar um sentido à Realidade Total, porque esse sentido não é evidente para os seres humanos.
Só podemos dizer que existe o que pode não existir, como uma cadeira. A existência da cadeira pode ser explicada. Mas a Consciência Cósmica não pode ser explicada. Dela só podemos dizer que é o suporte da existência.
De acordo com o filósofo Arthur Schopenhauer (1788-1860), o homem é livre para fazer o que deseja — a não ser que algo o impeça (liberdade de acção), mas não para escolher os seus desejos (ausência de liberdade da vontade). Para este filósofo, a “Vontade” (com ‘V’ maiúsculo) é a força fundamental e cega que impulsiona tudo no Universo, incluindo os nossos desejos e até mesmo a nossa vontade de mudar. Assim, estes desejos não são escolhidos livremente; eles são impostos por uma “Vontade” cega, independente de nós e largamente irracional, que nos torna escravos da nossa própria natureza. Não temos controlo sobre essa Vontade, que é a origem dos nossos desejos, impulsos ou vontades; estes surgem de forma autónoma, ditados pela nossa essência, que é imposta por essa Vontade. Em resumo: somos autómatos dirigidos por desejos que não escolhemos, uma ideia central na filosofia de Schopenhauer, que explora a natureza da vontade e da liberdade na sua obra “O Mundo como Vontade e Representação”. ...
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