“Na história da Humanidade, nada terá sido mais pernicioso do que a noção de povo eleito. Apesar do uso que Hitler fez dela, a ideia está a ressurgir agora mesmo no Estado de Israel, e conserva, junto dos judeus de França, um nevoeiro que os impede de ver mais claro. Refiro-me àqueles que defendem que a Shoah é um acontecimento absolutamente único, que excederia os limites do entendimento humano. Esforço desesperado para acreditar a todo o custo, até no maior dos infortúnios, na eleição por deus do povo judeu! Na realidade, a existência da Shoah é a prova irrefutável da não-existência de Deus. Não foi Deus quem quis ou permitiu o extermínio do seu povo, foram os homens que fizeram a Shoah. Cidadãos de um país cujos soldados carregavam no cinturão a inscrição Gott mit uns («Deus connosco»). Por muito monstruoso que tenha sido o genocídio dos Judeus pelos alemães nazis, as suas causas, múltiplas e sobrepostas, não são de natureza diferente das causas de acontecimentos históricos diferentes, mas aparentados, como o genocídio dos arménios cristãos pelos turcos muçulmanos, em 1915.” (Jean Soler, in “Quem é Deus?”, p. 86)
Comentários
Enviar um comentário