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Amor, beleza e verdade, 2024-32

“Todas as horas deveriam ser consagradas ao amor.” (Virginia Woolf, citada em “Falar Piano e Tocar Francês”, p. 41)

Neste livro, Martim Sousa Tavares escreve também que “todas as horas deveriam ser para a beleza” (Ibidem, p. 41), o que não contradiz Virginia Woolf porque o amor é a forma mais intensa de beleza.

Segundo Platão, a beleza é o reflexo da imortalidade, porque ao criar uma obra de beleza vencemos a morte. Tal era o sonho filosófico de Platão, o sumo-sacerdote da Religião da Beleza (ver “Platão – Biografia, filosofia, obras e frases”, in Netmundi.org).

Em minha opinião, a ética é a estética das relações humanas. Os sem-abrigo tiram beleza à sociedade. A grandeza de uma pessoa está apenas na beleza das relações que ela estabelece com as outras pessoas.

“Ethics and aesthetics are one.” (Ludwig Wittgenstein)

Segundo aquele maestro, a beleza “é um nutriente espiritual de valor não inferior às necessidades do corpo” (Ibidem, p. 43). Um pouco adiante (p. 44) ele acrescenta que “quem é sensível à beleza que há em toda a parte também o é ao sofrimento — um excelente antónimo de beleza — que há em toda a parte”.

Mas infelizmente ninguém pode negar que o mundo cada vez está mais feio e inóspito.

As experiências estéticas são inteiramente subjectivas, e por isso não podem ser explicadas. E o que é belo para um pode não o ser para outro. Isto basta para mostrar que um ser humano é indefinível. E a própria beleza não pode ser definida rigorosamente, pode apenas ser sentida.

“A beleza está no olhar de quem vê.” (John Berger, citado no livro referido, p. 148)

“A beleza está em todo o lado e em cada olhar.” (Martim S. Tavares, Ibidem, p. 148) “Há muito a ganhar em aprendermos a viver com menos, apreciando os ganhos dessa perda.” (Ibidem, p. 149)

“No jogo do capitalismo, o mercado dita as regras e quem tem mais dinheiro ganha sempre.” (Ibidem, p. 62)

“L'artiste ne fait qu'imiter l'art de la nature, et en un certain sens l'art humain n'est qu'un cas particulier de l'art fondamental et originel qui est celui de la nature. C'est pourquoi la beauté naturelle est supérieure à toute beauté artistique.” (Pierre Hadot)

 

“Não há uma única definição de beleza que seja consenso entre os filósofos, muito menos entre os artistas. Sobretudo, não há uma única definição que se aplicaria a todas as coisas e acontecimentos que denominamos belos.” (Celso Braidas)

Na p. 29 do livro “The Miracle of Existence”, de Henry Margenau, pode ler-se o seguinte:

“Why is there so much beauty in nature? We do not believe that beauty is only in the eye of the beholder. There are objective features underlying at least some experiences of beauty, such as the frequency ratios of the notes of a major chord, symmetry of geometric forms, or the aesthetic appeal of juxtaposed complementary colors. None of these has survival value, but all are prevalent in nature in a measure hardly compatible with chance. We marvel at the song of the birds, the color scheme of flowers (do insects have a sense of aesthetics?), of birds’ feathers, and at the incomparable beauty of a fallen maple leaf, its deep red coloring, its blue veins, and its golden edges. Are these qualities useful for survival when the leaf is about to decay?”

Henry Margenau acrescenta ao texto anterior as seguintes citações:

“The universe makes sense only on the assumption that there is a creative purpose behind it that is akin to mind.” (E. W. Sinnott)

“Shuffling can have inorganic causes but sorting into an organized pattern is the prerogative of mind.” (Arthur Eddington)

Assim, a teoria da evolução de Darwin, baseada na propagação genética aleatória e na sobrevivência dos mais aptos, é para Margenau uma teoria incompleta, porque não consegue explicar características dos seres vivos que claramente não contribuem para a sua sobrevivência. Em minha opinião, estas características são explicadas pelo Espírito Universal que comanda a evolução de todo o Universo. Esse Espírito explica a beleza da Natureza e a sensibilidade que nos permite apreciar essa beleza. Mas também explica a fealdade do mundo, como as guerras, os assassínios e a devastação causada pelos sismos. O Espírito Universal contém uma lógica insensível mas permite o aparecimento de seres sencientes. Infelizmente, esta lógica, por ser pouco rigorosa, permite uma irracionalidade excessiva na vida humana. Mas a realidade não pode ser de outro modo porque o Espírito Universal é a sede de todas as possibilidades, de todas as ideias e formas (ver o post 2022-3).

 

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