Perante as atrocidades que os israelitas têm cometido em Gaza, na Cisjordânia e no Líbano, não há nenhuma razão para que o governo de Netanyahu esteja indignado com a violência exercida sobre os israelitas, em Amesterdão, por ocasião do jogo entre o Ajax e o Maccabi Telavive, no dia 7 de Nov. 2024. Mas melhor do que usar de violência, será isolar completamente os israelitas em todo o mundo, até que sintam vergonha de ser judeus. Pelo sofrimento que têm infligido aos palestinianos nos últimos 70 anos, eles merecem sofrer um novo “holocausto”, mas desta vez por isolamento. Se eu jogasse futebol, nunca aceitaria jogar contra um clube israelita, porque estaria a abdicar da minha dignidade.
Cabe aqui referir o paradoxo da tolerância, de Karl Popper: “Para que uma sociedade seja tolerante é preciso que seja intolerante com a intolerância”.
Em Novembro de 2024, em entrevista à Antena 1, o psicólogo Raul Manarte, que está a trabalhar na Faixa de Gaza, no hospital de Al Nasser, integrado na ONG Médicos Sem Fronteiras (MSF), afirmou o seguinte:
Estamos a testemunhar o maior grupo de crianças amputadas de toda a história da Humanidade. O que se passa aqui é uma morte e tortura lenta de um povo. As pessoas estão presas numa faixa de 40 por 12 km sem poder fugir ao terror que estão a viver.
As casas estão todas completamente destruídas, as pessoas estão todas amontoadas em tendas, o frio e a chuva vão chegar, vai ser calamitoso para as pessoas que estão aqui. Isto é uma tortura lenta porque há explosões constantes, disparos de artilharia constantes. É difícil dormir durante a noite. Eu não sei se quando chegar ao hospital vou encontrar todos os meus colegas dos MSF. Este ano já morreram oito. Nós precisamos de estar preparados para ver crianças amputadas e crianças queimadas todos os dias. Eu já estive em muitos cenários de conflito, o que eu nunca tinha visto é uma tortura nesta escala maciça em que as pessoas não podem fugir para outro país. Esta sensação de estar aqui enclausurado é inexplicável.
Na mesma altura, em entrevista à CNN Portugal, Raul Manarte afirmou que está a viver num contexto que faz lembrar os ataques atómicos que aconteceram no Japão porque todas as estruturas estão completamente destrídas. Só um ou outro edifício está de pé.
Segundo um relatório da ONU, as mulheres e crianças representam quase 70 por cento das mortes em Gaza. Num relatório sobre a guerra, a ONU acusa Israel de várias violações do direito internacional, crimes de guerra, crimes contra a humanidade e até genocídio.
Recentemente, por ocasião do jogo de futebol França-Israel, os adeptos israelitas voltaram a ser atacados. Um destes adeptos perguntou: “Havendo tantas guerras no mundo, por que razão só Israel é atacado desta maneira?” Eu ter-lhe-ia dito que os países onde essas guerras decorrem não têm relações tão estreitas com a Europa como Israel. Se os governos europeus não tiverem a coragem de cortar relações com Israel (e eu penso que não vão ter porque estão nas mãos dos usurários judeus), devem ser os cidadãos europeus e os muçulmanos conscientes a reprimir, por todos os meios, os crimes que Israel está cometendo em Gaza. Um país mentiroso e ladrão não deve poder beneficiar de relações com os países europeus. Os judeus sionistas têm de ser forçados a respeitar os palestinianos. Todos os os que apoiam os palestinianos devem pressionar cada vez mais os sionistas, porque doutro modo voltaremos rapidamente à situação que tínhamos antes do 7 de outubro de 2023 e muitos milhares terão morrido em vão.
A existência de uma pessoa, ou sociedade, está nas relações que ela estabelece com outras pessoas, ou sociedades (vide post 2024-40). Por isso, sujeitar os sionistas ao isolamento é condená-los à inexistência.
Antes de 1948 eram sugeridas várias explicações para o antissemitismo. Agora temos uma explicação mais clara: a desumanidade dos sionistas.
Os judeus têm dado coisas muito boas à Humanidade, mas desde 1948 têm causado muito mal. Depois do holocausto de Gaza, não creio que algum judeu possa sentir-se orgulhoso da sua etnia.
“Tive um sonho, Senhor, e no instante em que o vivia achei-o maravilhoso: já não era judeu.” (Edmond Jabès, escritor francês de origem judaica)
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