No artigo “My Philosophy and Quantum Physics” (disponível no website do autor), o filósofo Bernardo Kastrup afirma o seguinte:
“We do not need to postulate a whole universe outside consciousness – outside subjective experience – in order to make sense of empirical reality. The implication is that all reality, including our bodies and brains, are in consciousness, not consciousness in our bodies and brains. My worldview is compatible with a classical view of nature: it doesn't exclude the possibility that objects may exist in definite states and locations even if no living creature is observing them. Indeed, my worldview accepts a non-personal form of consciousness underlying all nature, in which objects can still exist as non-personal experiences, with definite outlines, even when not observed by personal psyches. […] Consciousness is the only carrier of reality anyone can ever know for sure; it is the one undeniable, empirical fact of existence. My view is that we do not need more than this one undeniable fact to explain reality: all things and phenomena can be explained as excitations of consciousness itself. As such, underlying all reality is a stream of subjectivity that I metaphorically describe as a stream of water (water being analogous to consciousness). Inanimate objects are ripples in the stream, experienced subjectively by the mind-at-large that is the stream itself. Living creatures are localizations of the flow of water in the stream: whirlpools. The body-brain system is, as such, the image of a process of localization in the stream of subjective experiences of mind-at-large. The body-brain system doesn't generate consciousness for exactly the same reason that a whirlpool doesn't generate water. And since there is nothing to a stream full of ripples and whirlpools but water in movement, all reality is simply consciousness in movement. The movement of consciousness/water is what we call subjective experience.”
Kastrup explica este ponto de vista com mais detalhe no vídeo que o Youtube apresenta sob o título “Bernardo Kastrup- If not materialism, then what?”.
Segundo Kastrup, toda a realidade pode explicar-se em termos de “consciência”: os objectos inanimados são ondulações na corrente de consciência e os seres vivos são vórtices nessa corrente. Esta metáfora ondulações/vórtices de consciência resume a mundividência de Kastrup. Nós não temos acesso a um hipotético mundo exterior mas apenas à consciência. Para ele a existência de um mundo exterior não é necessária para compreender a realidade, porque tudo é consciência. Náo é a consciência que está nos seres humanos, estes é que existem num oceano de consciência. Segundo Kastrup, as semelhanças entre as visões do mundo de diferentes pessoas indicam que a realidade está fora das suas cabeças. Mas para ele, este facto não implica que as capacidades sensoriais e cognitivas de duas pessoas tenham de ser idênticas. Por isso, uma delas pode não ver a cor vermelha que está fora do cérebro, na Consciência Universal, e ser daltónica, ao contrário da outra.
Segundo a física quântica, toda a matéria é constituída por minúsculas particulas de energia em permanente vibração. Nada é sólido, tudo é energia em movimento. Segundo muitos pensadores, a este nível material sobrepõe-se uma Consciência Universal que comanda o fluxo de energia, e da qual a nossa consciência é uma manifestação. Esta ontologia é dualista (matéria mais consciência), ao passo que a de Bernardo Kastrup é monista (só consciência). Por outro lado, o materialismo (só matéria) é outra ontologia monista. Para os materialistas, como o físico Ulf Danielsson, a física poderá explicar toda a realidade. Mas em minha opinião, a sensibilidade humana é uma manifestação do Espírito e está fora do âmbito da física. Mas também poderemos pensar que a matéria é energia e inteligência, evitando-se assim o dualismo. Este parece ser o ponto de vista de Ulf Danielsson. Ontologias não faltam, mas talvez seja impossível provar qual delas é a verdadeira.
“Como todo o nosso universo é composto por consciência, nunca experienciamos realmente o universo diretamente, apenas experienciamos a nossa consciência do universo, a nossa perceção do mesmo, portanto o nosso único universo é a perceção.” (Alan Moore)
Epicuro era um atomista, isto é, acreditava que o mundo é formado por átomos indivisíveis. Contrariamente, segundo Zenão de Cítio, o mundo é um contínuo, ou seja, pode ser indefinidamente dividido. Talvez a verdade esteja do lado de Zenão: tudo é uma Consciência contínua e os seres são localizações dessa Consciência.
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