O presente post é baseado nos seguintes vídeos do Youtube.
Why Free Will & Determinism Are The Same | Bernardo Kastrup PhD
“Your Consciousness is Not in Your Head.” | Interview with Bernardo Kastrup
Como Bernardo Kastrup explica nos vídeos anteriores, cada homem toma as decisões que a Consciência Universal lhe permite tomar, e só poderia ter decidido diferentemente se as circunstâncias tivessem sido outras. Estamos todos assistindo ao espectáculo que nos é oferecido pela Consciência Universal. Por isso Bernardo Kastrup, no primeiro dos vídeos referidos, afirma que livre-arbítrio e determinismo são o mesmo. A Consciência Universal determina o estado da nossa mente e este determina as nossas escolhas. Depois de praticada uma acção não podemos dizer que a pessoa poderia ter agido de outro modo. Todos temos tendência para criticar os outros mas, na verdade, qualquer crítica é irracional.
Quando recordamos o nosso passado podemos ficar felizes por não ter praticado uma dada acção, mas também podemos lamentar tê-la praticado.
Ninguém pode determinar o seu destino, mas o sofrimento pode humanizar a Humanidade. Além disso, sem o sofrimento e o amor não seria possível tomar o mundo a sério. É importante notar que o amor só pode ganhar profundidade através do sofrimento.
“A felicidade bestializa, só o sofrimento humaniza as pessoas.” (Mário Quintana)
“Três paixões, simples mas infinitamente poderosas, têm governado a minha vida: o desejo do amor, a busca do conhecimento, e uma compaixão esmagadora pelos sofrimentos da humanidade.” (Bertrand Russell)
O sofrimento e o amor são dois dos poucos aspectos da vida humana que não são ridículos. E o conhecimento só é significativo quando permite mitigar o sofrimento.
A certa altura, na entrevista do segundo daqueles vídeos, o entrevistador pergunta: “Está optimista em relação ao futuro da humanidade em geral?” Kastrup responde: “Estou neutro. Acho que podemos estar à beira da destruição ou de uma mudança fantasticamente positiva, mas não sei para que lado o mundo seguirá, não sei bem”.
Em face do actual estado do mundo, uma mudança fantasticamente positiva parece-me muito improvável. Acredito que o medo e o sofrimento irão forçar o homem a viver solidariamente, mas quando isso acontecer a extinção inevitável da espécie estará próxima. No entanto, como é a Consciência Universal que tudo comanda, ninguém puderá culpar a Humanidade do seu fim inglório.
A concluir o mesmo vídeo Kastrup afirma:
“A sua consciência não está na sua cabeça, a sua cabeça não é um receptáculo ou uma espécie de copo onde coloca a sua consciência. É o contrário: a sua cabeça está na sua consciência, e na minha consciência e na consciência dele, porque podemos ver o seu corpo. A cabeça, o corpo, é a forma como a nossa vida mental interior se apresenta quando representada no ecrã da percepção, é um símbolo para as nossas mentes, e correlaciona-se com as nossas mentes porque a imagem de um fenómeno se correlaciona com a coisa que representa. As chamas correlacionam-se com a combustão porque representam o aspecto da combustão; as cabeças correlacionam-se com a consciência humana, porque as cabeças representam a aparência da consciência humana. Portanto, a sua consciência não está na sua cabeça; a sua cabeça é um símbolo, uma representação da sua consciência. A sua consciência não é sequer espaço-tempo, porque o espaço e o tempo são as dimensões, o paradigma das representações, não as dimensões ou a estrutura do mundo tal como ele é em si mesmo. A mente não está no espaço-tempo, apenas as coisas físicas estão. Então, a forma de contornar a questão é entender que a sua consciência não está localizada na sua cabeça. É como dizer que o piloto está localizado num determinado mostrador no painel de um avião (vide post 2025-36). Não, o painel é uma representação do mundo onde o piloto realmente se encontra; o mundo físico é uma representação no painel. Você, enquanto mente, não está nessa representação, não está no espaço-tempo, pela mesma razão que o piloto não está no painel. Estamos no mundo que é representado, e as nossas cabeças fazem parte dessa representação, são um símbolo da nossa presença no mundo tal como ele é em si mesmo”.
No artigo “CIBERCULTURA – Experimentar Deus-Existência”, de Miguel Oliveira Panão (disponível da Internet), o autor afirma: “Deus não existe no sentido comum. Se Deus existisse, seria como qualquer outra realidade que existe. As reservas que tenho em conjugar as palavras “Deus existe” advêm de serem uma conjugação muito limitada para a Realidade-que-tudo-determina. O que me parece fazer mais sentido é afirmar que “Deus é Existência” (além de Deus é Amor, como nas Cartas de S. João). Porém, faz algum sentido perguntar se “a Existência existe?” Não creio. Sabemos pouco de Deus, mas se acolhermos esta possibilidade de contemplar Deus como a Existência que dá sentido a tudo, relacionamos corretamente “Existência” e “Deus”. A existência de Deus não faz sentido porque Deus é a existência. Se Deus é Existência, não faz sentido provar a sua existência, mas sim experimentar essa Existência.” Uma vez que Deus pertence ao domínio do inconcebível, nenhuma metáfora pode aumentar o nosso conheciment...
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