No livro “A Supraconsciência Existe”, o Dr. Manuel Sans Segarra diz acreditar no aparecimento do Homem Novo, que será guiado pela Supraconsciência. Esta é para ele a verdadeira identidade do homem, a força que o aproxima de Deus. No entanto, em face da história da Humanidade, é evidente que a crença no Homem Novo é pura utopia. Em minha opinião, a solidariedade à escala da Humanidade inteira será terminal: somente nos abraçaremos uns aos outros quando sentirmos todos que o colapso inevitável está próximo. Nesta situação todos precisaremos de ajuda e as disputas territoriais não farão sentido.
“São precisos 60 anos, e não 9 meses, para fazer um ho¬mem.” (André Malraux) Isto é, quando o homem está mais preparado para ser útil à sociedade, está próximo da morte. Com a Humanidade acontecerá o mesmo: quando tivermos aprendido a viver em paz, a extinção da espécie estará próxima.
“Os olhos do espírito só começam a ser penetrantes quando os do corpo principiam a enfraquecer.” (Platão)
A realidade humana actual é de tal maneira desumana que o desejo de procriar é talvez a maior desumanidade.
Muitos dizem: “o mundo mudou muito, o mundo mudou muito”. Mas se esta mudança tornar a vida humana insuportável, só nos resta uma atitude: evitar a procriação.
Emil Cioran não acreditava que a vida possa dar alguma coisa realmente valiosa aos seres vivos. Alguns dos seus aforismos exprimem claramente esta convicção.
“Não nascer é sem dúvida o melhor plano de todos. Infelizmente não está ao alcance de ninguém.” (Emil Cioran)
“Com o que sei, com o que sinto, não poderia dar vida a alguém sem cair numa contradição total comigo mesmo, sem ser intelectualmente desonesto e sem cometer um crime moral. É interessante que, em mim, esta atitude é realmente antiga, pois eu a tinha antes de cristalizar os meus pensamentos sobre este assunto. Comecei a sentir nojo da procriação muito cedo; era uma resposta ao meu horror; não apenas: ao horror à vida e à sede por ela. Nunca aceitei o sexo senão pelo prazer. A sua função própria sempre criou em mim uma aversão insuperável. Nunca concordaria voluntariamente em assumir a responsabilidade pela vida.” (Emil Cioran)
“Um zoólogo que observava gorilas no seu habitat natural ficou admirado com a uniformidade das suas vidas e sua vasta ociosidade. Horas e horas sem fazer nada. Seria o tédio desconhecido para eles? Esta é, de facto, uma questão levantada por um ser humano, um macaco ocupado. Longe de fugir da monotonia, os animais a desejam, e o que mais temem é vê-la terminar. Pois ela termina apenas para ser substituída pelo medo, a causa de toda actividade. A inação é divina; mas foi contra a inação que o homem se rebelou. O homem, sozinho na natureza, é incapaz de suportar a monotonia; o homem, sozinho, quer que algo aconteça a todo custo — algo, qualquer coisa… Assim, ele mostra-se indigno do seu antepassado: a necessidade de novidade é a característica de um gorila alienado.” (Emil Cioran)
Segundo Sans Segarra, para a Supraconsciência só existe um tempo: o presente, o agora. Mas actualmente o homem vive atormentado pelo futuro e pelos erros que cometeu no passado, porque é conduzido pela consciência neuronal (que Sans Segarra chama o “não-eu”).
“Quem está em contacto com a supraconsciência — e eu estou — não teme a morte.” (Manuel Sans Segarra, in entrevista publicada no Jornal i em 18-06-2025)
No artigo “CIBERCULTURA – Experimentar Deus-Existência”, de Miguel Oliveira Panão (disponível da Internet), o autor afirma: “Deus não existe no sentido comum. Se Deus existisse, seria como qualquer outra realidade que existe. As reservas que tenho em conjugar as palavras “Deus existe” advêm de serem uma conjugação muito limitada para a Realidade-que-tudo-determina. O que me parece fazer mais sentido é afirmar que “Deus é Existência” (além de Deus é Amor, como nas Cartas de S. João). Porém, faz algum sentido perguntar se “a Existência existe?” Não creio. Sabemos pouco de Deus, mas se acolhermos esta possibilidade de contemplar Deus como a Existência que dá sentido a tudo, relacionamos corretamente “Existência” e “Deus”. A existência de Deus não faz sentido porque Deus é a existência. Se Deus é Existência, não faz sentido provar a sua existência, mas sim experimentar essa Existência.” Uma vez que Deus pertence ao domínio do inconcebível, nenhuma metáfora pode aumentar o nosso conheciment...
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