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O Homem Novo, 2025-43

No livro “A Supraconsciência Existe”, o Dr. Manuel Sans Segarra diz acreditar no aparecimento do Homem Novo, que será guiado pela Supraconsciência. Esta é para ele a verdadeira identidade do homem, a força que o aproxima de Deus. No entanto, em face da história da Humanidade, é evidente que a crença no Homem Novo é pura utopia. Em minha opinião, a solidariedade à escala da Humanidade inteira será terminal: somente nos abraçaremos uns aos outros quando sentirmos todos que o colapso inevitável está próximo. Nesta situação todos precisaremos de ajuda e as disputas territoriais não farão sentido.

“São precisos 60 anos, e não 9 meses, para fazer um ho¬mem.” (André Malraux) Isto é, quando o homem está mais preparado para ser útil à sociedade, está próximo da morte. Com a Humanidade acontecerá o mesmo: quando tivermos aprendido a viver em paz, a extinção da espécie estará próxima.

“Os olhos do espírito só começam a ser penetrantes quando os do corpo principiam a enfraquecer.” (Platão)

A realidade humana actual é de tal maneira desumana que o desejo de procriar é talvez a maior desumanidade.
Muitos dizem: “o mundo mudou muito, o mundo mudou muito”. Mas se esta mudança tornar a vida humana insuportável, só nos resta uma atitude: evitar a procriação.
Emil Cioran não acreditava que a vida possa dar alguma coisa realmente valiosa aos seres vivos. Alguns dos seus aforismos exprimem claramente esta convicção.

“Não nascer é sem dúvida o melhor plano de todos. Infelizmente não está ao alcance de ninguém.” (Emil Cioran)

“Com o que sei, com o que sinto, não poderia dar vida a alguém sem cair numa contradição total comigo mesmo, sem ser intelectualmente desonesto e sem cometer um crime moral. É interessante que, em mim, esta atitude é realmente antiga, pois eu a tinha antes de cristalizar os meus pensamentos sobre este assunto. Comecei a sentir nojo da procriação muito cedo; era uma resposta ao meu horror; não apenas: ao horror à vida e à sede por ela. Nunca aceitei o sexo senão pelo prazer. A sua função própria sempre criou em mim uma aversão insuperável. Nunca concordaria voluntariamente em assumir a responsabilidade pela vida.” (Emil Cioran)

“Um zoólogo que observava gorilas no seu habitat natural ficou admirado com a uniformidade das suas vidas e sua vasta ociosidade. Horas e horas sem fazer nada. Seria o tédio desconhecido para eles? Esta é, de facto, uma questão levantada por um ser humano, um macaco ocupado. Longe de fugir da monotonia, os animais a desejam, e o que mais temem é vê-la terminar. Pois ela termina apenas para ser substituída pelo medo, a causa de toda actividade. A inação é divina; mas foi contra a inação que o homem se rebelou. O homem, sozinho na natureza, é incapaz de suportar a monotonia; o homem, sozinho, quer que algo aconteça a todo custo — algo, qualquer coisa… Assim, ele mostra-se indigno do seu antepassado: a necessidade de novidade é a característica de um gorila alienado.” (Emil Cioran)

Segundo Sans Segarra, para a Supraconsciência só existe um tempo: o presente, o agora. Mas actualmente o homem vive atormentado pelo futuro e pelos erros que cometeu no passado, porque é conduzido pela consciência neuronal (que Sans Segarra chama o “não-eu”).
“Quem está em contacto com a supraconsciência — e eu estou — não teme a morte.” (Manuel Sans Segarra, in entrevista publicada no Jornal i em 18-06-2025)


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