Vários líderes contemporâneos dizem desejar uma nova ordem mundial. Mas a crise das Nações Unidas mostra que a Humanidade já não sabe como governar-se. Se a esta crise acrescentarmos a lista de problemas apresentada no post 2024-4, podemos concluir que só podemos esperar uma desordem mundial permanente, que vai acabar por destruir a civilização. Na entrevista intitulada “Deus não morreu. Ele tornou-se Dinheiro” (publicada em 16-08-2012 no jornal online Raguza News), o filósofo Giorgio Agamben acrescenta àquela lista mais alguns problemas. Esta entrevista mostra que a época presente é caracterizada pelo “fim da esperança”. Apresento a seguir alguns excertos desta entrevista.
“O capitalismo é uma religião, e a mais feroz, implacável e irracional religião que jamais existiu, porque não conhece nem redenção nem trégua. Ela celebra um culto ininterrupto cuja liturgia é o trabalho e cujo objecto é o dinheiro.”
“Há muitos anos, um filósofo que também era um alto funcionário da Europa nascente, Alexandre Kojève, afirmava que o homo sapiens havia chegado ao fim de sua história e já não tinha nada diante de si a não ser duas possibilidades: o acesso a uma animalidade pós-histórica (encarnado pela american way of life) ou o snobismo (encarnado pelos japoneses, que continuavam a celebrar as suas cerimónias do chá, esvaziadas, porém, de qualquer significado histórico).”
“A nova ordem do poder mundial funda-se sobre um modelo de governamentalidade que se define como democrática, mas que nada tem a ver com o que este termo significava em Atenas.”
“Uma cidade cujas praças e cujas estradas são controladas por videocâmaras não é mais um lugar público: é uma prisão.”
“Optimismo e pessimismo não são categorias úteis para pensar [a política]. Como escrevia Marx em carta a Arnold Ruge: ‘a situação desesperada da época em que vivo enche-me de esperança’.”
A desesperança de Giorgio Agamben é ainda mais nítida no seu artigo “Quando a casa arde” (publicado em 18-01-2021 na revista Punkto e disponível na Internet).
A situação da Humanidade é de tal maneira caótica e absurda que qualquer pessoa lúcida só pode lamentar a sua existência. A satisfação que a vida dá aos seres humanos é muito inferior à tristeza que lhes causa.
No artigo “CIBERCULTURA – Experimentar Deus-Existência”, de Miguel Oliveira Panão (disponível da Internet), o autor afirma: “Deus não existe no sentido comum. Se Deus existisse, seria como qualquer outra realidade que existe. As reservas que tenho em conjugar as palavras “Deus existe” advêm de serem uma conjugação muito limitada para a Realidade-que-tudo-determina. O que me parece fazer mais sentido é afirmar que “Deus é Existência” (além de Deus é Amor, como nas Cartas de S. João). Porém, faz algum sentido perguntar se “a Existência existe?” Não creio. Sabemos pouco de Deus, mas se acolhermos esta possibilidade de contemplar Deus como a Existência que dá sentido a tudo, relacionamos corretamente “Existência” e “Deus”. A existência de Deus não faz sentido porque Deus é a existência. Se Deus é Existência, não faz sentido provar a sua existência, mas sim experimentar essa Existência.” Uma vez que Deus pertence ao domínio do inconcebível, nenhuma metáfora pode aumentar o nosso conheciment...
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