O objectivo da ciência é determinar o que tem de ser comum a todas as realidades pessoais. Deste modo, a ciência e as linguagens que ela usa (que incluem a matemática) não podem ser puras criações da mente humana. Deste modo, ao contrário do que afirma o físico Ulf Danielsson no seu livro “O mundo como ele é”, a ciência e a matemática são reais, no sentido de terem algo em comum com a lógica da Realidade Total. Se a mente é real, como podem os produtos da mente não ser reais? Na verdade, nem só a matéria é real, contrariamente ao que Danielsson parece pensar.
“I believe in everything until it’s disproved. So I believe in fairies, the myths, dragons. It all exists, even if it’s in your mind. Who’s to say that dreams and nightmares aren’t as real as the here and now?” (John Lennon) Há muitas pessoas que acreditam em coisas cuja existência não é possível provar.
“He who robs us of our dreams robs us of our life.”
(Virginia Woolf)
Segundo o físico Carlo Rovelli, uma coisa só existe na medida em que interage com outras coisas, porque as propriedades de qualquer coisa só se manifestam nas interacções com outras coisas (ver “O abismo vertiginoso”, subcapítulo “Relações”, p. 77) Ora, interacção pressupõe comunicação. A Consciência Cósmica estabelece a comunicação entre as diversas partículas elementares e também entre os seres humanos, através das várias linguagens que eles usam, nomeadamente a linguagem verbal, a matemática e a música. Todas estas linguagens são obviamente reais. De facto, tudo o que é capaz de fazer vibrar as cordas da sensibilidade e da inteligência modifica a estrutura do cérebro, e portanto é real.
Em minha opinião, o surpreendente sucesso (alguns chamam-lhe mesmo milagroso) da mente humana na descrição dos fenómenos naturais, com o auxílio da matemática, pode ser explicado do seguinte modo: por um lado, o mundo é moldado pela Consciência Cósmica, que contém a matemática; por outro lado, a mente humana é uma manifestação da Consciência Cósmica. Sobre a eficácia da matemática nas ciências naturais, ver a seguinte artigo de Eugene Wigner (disponível na Internet): “A Implausível Eficácia da Matemática nas Ciências Naturais”.
No entanto, nada garante que a imaginação humana é suficientemente poderosa para conceber o mundo como ele é. A realidade é frequentemente mais imaginativa do que a imaginação humana. Por outro lado, apesar do sucesso que a matemática tem revelado na física, a linguagem verbal poderá não ser suficientemente rica para descrever as realidades mais complexas, como a vida e a mente humana. Por exemplo, a física não pode descrever a sensibilidade, porque esta é um atributo do Espírito e a física só abrange a matéria. A sensibilidade, tal como o Espírito, recusa ser definida. As insuficiências da linguagem verbal é que explicam o frequente uso de metáforas na descrição do mundo.
“The universe is not only stranger than we imagine; it is stranger than we can imagine.” (J.B.S. Haldane, geneticista britânico)
“What is now proved was once only imagined.” (William Blake) Não podemos conhecer o que não podemos imaginar.
“What cannot be imagined cannot even be talked about.” (Ludwig Wittgenstein)
“Everything you can imagine is real.” (Pablo Picasso)
O mais interessante da filosofia são as coisas que podemos imaginar mas cuja existência não podemos provar. Esta incapacidade resulta de a Consciência Cósmica (onde residem as ideias) ser muito mais complexa do que e mente humana.
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