“A matemática é um ingrediente importante nos mundos interiores de um ser humano, pelo menos para quem é como eu. Em vez de existir independente de nós, constitui uma parte de nós próprios, manifestada em carne e osso.” (Ulf Danielsson, in “O Mundo como ele é”, p. 137) Não concordo com esta afirmação. A matemática é descoberta pelo homem, não é inventada.
Algumas verdades matemáticas regulam o mundo físico e o homem limita-se a descobri-las. Quando Pitágoras estudou o triângulo rectângulo (que ele identificou num objecto qualquer), descobriu a relação matemática que hoje chamamos Teorema de Pitágoras. Na matemática, o homem só inventou os instrumentos de pensamento usados para descobrir verdades matemáticas.
A realidade física é que leva a mente a descobrir a matemática. Não é a mente que dá propriedades matemáticas a essa realidade. Portanto, a origem da matemática é exterior às mentes. Existe uma única matemática porque ela não é inventada pelos homens.
Se algumas verdades matemáticas não puderem ser reconhecidas no mundo físico, isso será mais um indício da existência da Consciência Cósmica, por esta ser a sede da matemática. Além disso, se a vida não puder ser descrita exactamente pela matemática, como pensam alguns biólogos, então a Consciência Cósmica tem de ser mais extensa do que a matemática. Provavelmente, a parte não matemática ficará para sempre fora do alcance da mente humana.
Ao contrário das ideias de Belo e Bem, que dependem da sensibilidade humana, as verdades matemáticas existiam já antes do aparecimento do homem.
Uma vez que os possíveis seres extraterrestres inteligentes estão sujeitos, como nós, à acção da Consciência Cósmica, é provável que eles tenham uma matemática igual à nossa. Por isso, para comunicar com esses extraterrestres teremos que começar por enviar-lhes mensagens matemáticas.
Numa entrevista publicada no Público de 08 Nov. 1991, o matemático Alain Connes afirma o seguinte:
“Quem tem uma visão materialista das coisas pensa que tudo é matéria. […] Mas a matemática é uma ciência na qual a matéria não é o objecto central. Nem tudo é limitado pelo espaço-tempo, nem tudo é contido no espaço-tempo ou limitado pela matéria. […] O espaço e o tempo sâo conceitos que desenvolvemos para nos orientarmos. Mas são apenas conceitos, modelos. E o que é preciso perceber é que a matemática faz parte da realidade da mesma maneira que esse espaço, que essa matéria que nós podemos tocar. […] O que nós chamamos realidade exterior é uma coisa muito mais complexa, muito menos redutível ao material do que as pessoas costumam pensar. Obviamente, isso coloca um problema filosófico, que tem sempre existido, que é o problema da distinção entre realidade material e realidade imaterial. […] O que é preciso perceber é que a matemática não se encontra no espaço-tempo e que, de certa maneira, está por todo o lado. Dizer que as coisas exístem apenas porque se encontram algures é uma posiçao terrivelmente rcducionista e que não faz sentido. Dar a entender que tudo é necessariamente material, que tudo é redutível às coisas materiais não tem sentido.”
O que liga dois amantes é
certamente diferente dos átomos que constituem os seus corpos. Isto é, nesse
par de amantes existe algo que é imaterial e podemos chamar a alma do par.
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