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A Marioneta, 2025-50

Apresento a seguir o poema intitulado “A Marioneta”, do comediante mexicano Johnny Welch, que ele costuma usar nos seus espectáculos de ventriloquismo.

“Se por um instante Deus se esquecesse de que sou uma marioneta de pano e me desse um pedaço de vida, talvez eu não dissesse tudo o que penso, mas com certeza pensaria tudo o que digo.
Eu daria valor às coisas não pelo seu valor intrínseco, mas sim pelo seu significado. Dormiria pouco e sonharia mais. Sei que a cada minuto que fechamos os olhos, perdemos sessenta segundos de luz.
Eu caminharia enquanto os outros vagueiam; acordaria enquanto os outros dormem. Ouviria enquanto os outros falam, e como apreciaria um bom gelado de chocolate!
Se Deus me concedesse um pedaço de vida, eu vestir-me-ia com simplicidade, atirar-me-ia de bruços sob o sol, expondo não só o meu corpo, mas também a minha alma.
Meu Deus, se eu tivesse um coração, escreveria o meu ódio no gelo e esperaria que o sol nascesse. Com um sonho de Van Gogh, pintaria nas estrelas um poema de Benedetti, e uma canção de Serrat seria a minha serenata à lua.
Com as minhas lágrimas regaria as rosas, para sentir a dor dos seus espinhos e o beijo encarnado das suas pétalas… Meu Deus, se eu tivesse apenas um pedaço de vida… Não deixaria passar um único dia sem dizer às pessoas que amo que as amo. Convenceria cada mulher ou homem de que são os meus favoritos e viveria em amor pelo amor.
Provaria aos homens o quão enganados estão ao pensarem que deixam de se apaixonar quando envelhecem – sem saberem que envelhecem quando deixam de se apaixonar. A uma criança daria asas, mas deixá-la-ia aprender a voar sozinha. Aos idosos ensinaria que a morte não vem com a velhice, mas com o esquecimento. Aprendi tanto convosco, homens…
Aprendi que todos querem viver no topo da montanha sem perceber que a verdadeira felicidade reside na forma como escalamos a encosta. Aprendi que, quando um recém-nascido aperta pela primeira vez o dedo do pai no seu pequeno punho, prende-o para sempre.
Aprendi que um homem só tem o direito de olhar outro homem de cima para baixo quando quer ajudá-lo a levantar-se. Aprendi tantas coisas convosco, mas no final, a maior parte será inútil, porque quando me colocarem dentro daquela mala, infelizmente, infelizmente estarei a morrer.” (Johnny Welch, 8 de agosto de 1959, Cidade do México)

No vídeo do Youtube intitulado Johnny Welch y el Mofles leen su poema “La Marioneta”, o ventríloquo Johnny Welch lê este poema.

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