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Genocídio e fanatismo, 2025-48

Da análise do filme “Nuremberga” (2025), intitulada “Nuremberg Ponders the Particularity of Nazi Evil” (disponível no site “The Gospel Coalition”), retirei as seguintes frases.

“Nuremberg ends with a sobering quote from R. G. Collingwood: ‘The only clue to what man can do is what man has done.’ It’s a fitting final thought for a film about sinful humanity’s frightening capacity for evil.”

“Some Nazis were monstrous bogeymen; others were banal. Grievance-driven aggression, self-deception, and other sinful habits compounded in Nazism with uniquely depraved and horrific results. By 1945, as Allied armies discovered concentration camps and the extent of Holocaust atrocities became more widely known, even some Nazis struggled to comprehend the depths of the darkness in which they were complicit.”

“If we could psychologically define evil, we could make sure nothing like this happens again.”

“Nuremberg ends with a dramatic epilogue in which [Douglas] Kelley is being interviewed live on the radio about his new book, 22 Cells in Nuremberg (1947), which he wrote about his interactions with Nazi criminals. The interviewer tells Kelley, “You must admit [the Nazis] were a unique people.”
Kelley responds, “They are not a unique people. There are people like the Nazis in every country in the world today.”
“Not in America,” the radio host replies.
“Yes in America!” Kelley barks back. “Their personality patterns are not obscure. They are people who want to be in power. And while you say they don’t exist here, I would say I’m quite certain there are people in America who would willingly climb over the corpses of half the American public if they knew they could gain control of the other half.”

Brett McCracken, autor do referido artigo, parece pensar que o holocausto perpetrado pelos nazis alemães foi uma excepção que não caracteriza globalmente a espécie humana. De facto, no artigo pode ler-se:
“A resposta cristã é que os seres humanos, na sua essência, são pecadores, depravados e distorcidos em direcção ao egoísmo. Isso é verdade; mas o facto de essa resposta ser verdadeira não significa que não seja banal. A causa que explica tudo em geral não explica nada em particular. Os britânicos eram igualmente pecaminosos, mas não orquestraram a aniquilação sistemática da população judaica em Londres. Os franceses tinham um registo pior sobre o antissemitismo, mas não sediaram a Conferência de Wannsee”. Até parece que, segundo McCracken, o homem não foi criado por Deus mas pelo demónio.

A minha resposta é a seguinte: os genocídios podem acontecer em qualquer lugar, mas nem sempre da mesma maneira (vide Wikipédia: Genocídios na História). O nazismo, como outros acontecimentos da História, é uma consequência da natureza humana e das circunstâncias. O homem não foi criado para ser humano. Ele é apenas um animal que pode ser mais refinado do que os outros animais em tudo o que faz. Nem o homem nem os outros animais foram criados por Deus ou pelo diabo. Eles são apenas manifestações do fenómeno chamado Vida, que ainda estamos longe de compreender completamente. O sistema a que chamamos Gaia é um organismo muito estranho porque algumas das suas componentes estão em luta permanente com outras.

Desde a criação de Estado israelita em 1948, os judeus têm vindo progressivamente a ocupar territórios que pertenciam aos palestinianos há muitas gerações, recorrendo frequentemente à violência. A lista dos conflitos entre os dois povos desde 1948 é apresentada no artigo “Quick Facts: The Palestinian Nakba (Catastrophe)” disponível no site do “Institute for Middle East Understanding”.
Com o massacre cometido em Gaza desde 07-10-2023 (o pior desde 1948: mais de 70 mil mortos palestinianos, a maioria mulheres e crianças, contra mais de 2 mil mortos israelitas), Israel perdeu a sua dignidade e colocou-se ao nível dos nazis alemães. Quem no futuro colaborar com Israel tornar-se-á cúmplice das atrocidades infligidas aos palestinianos. E os israelitas só suportarão facilmente a exclusão a que serão sujeitos se a maioria dos seres humanos não prezar a sua dignidade.

Enquanto Israel não respeitar os direitos dos muçulmanos, os judeus irão ser perseguidos constantemente, sem ser possível distinguir os inocentes dos culpados. A guerra Israel-Hamas veio despertar os muçulmanos para as injustiças que os sionistas têm cometido contra os palestinianos. O tiroteio praticado em 14-12-2025 contra um festival judaico, na praia australiana de Bondi, em Sydney, não será certamente o último acto de antissemitismo.

Actualmente a Cisjordânia é considerada pela ONU um território sob controlo da Autoridade Nacional Palestiniana e por isso a construção de colonatos nesse território é ilegal. No entanto, o governo israelita (que ocupou a Cisjordânia em 1967) autorizou nos últimos três anos a construção de 69 colonatos nesse território. Recentemente, um judeu sionista, que participava na construção de um colonato na Cisjordânia foi entrevistado por um jornalista na TV. Quando o jornalista lhe disse que o terreno pertencia a um palestiniano e que já tinha pertencido aos seus pais e avôs, o judeu respondeu que, segundo a Bíblia, a Cisjordânia é dos judeus.
Outro exemplo de fanatismo religioso foi apresentado pela SIC Notícias em 13-08-2025: colonos israelitas entrevistados pela Sky News na Cisjordânia disseram que têm o direito sagrado de ocupar este território. Um deles confessou: “Deus é real e escreveu a Bíblia e a Bíblia diz: ‘Eu criei esta terra e quero que vocês estejam aqui’”.

Os maiores males da Humanidade são causados pelo fanatismo, que por sua vez resulta de perturbações mentais. No artigo “O que está por trás do fanatismo?” (disponível em MundoPsicologos.com) pode ler-se:
“O fanático tende a dividir o mundo entre os que pensam como ele e os outros, coisificando o inimigo. As consequências deste tipo de comportamento é a falta de empatia e de compaixão. Para muitos especialistas, o fanatismo é uma resposta à insegurança e ao medo do julgamento dos demais, funcionando como um escudo de protecção. A pessoa encerra-se em convicções absolutistas e inquestionáveis para não ter que lidar com a sua própria fragilidade.”
Em Portugal temos um fanático justiceiro cujo fanatismo começou na religião e foi depois continuado na política.

Aquele que se julga superior aos outros revela-se normalmente inferior em muitos aspectos. Acredito que todos os fanáticos se julgam superiores àqueles que os rodeiam.

Blaise Pascal escreveu: “o silêncio eterno dos espaços infinitos apavora-me”. A mim apavora-me mais a infinita diversidade da mente humana, que cobre toda a gama que vai dos sentimentos mais sublimes aos mais abjectos. As perturbações mentais podem originar acontecimentos absolutamente irracionais.

“Neste mundo, os loucos conduzem os cegos.” (Shakespeare, in “Rei Lear”)

“É uma doença natural no homem acreditar que possui a verdade.” (Blaise Pascal)

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